Ignited – “Steelbound” (2019)

Ignited – “Steelbound” (2019)

Heavy Metal

 

Nota: 8,5

 

Sabe aquele seu tio velho que, apesar de tentar ser engraçado na piada do “Pavê ou Pacumê” em festas natalinas, passa o ano todo resmungando de tudo? Se o bife está bem passado ele reclama, mas quando vem ao ponto ou mal passado ele vai reclamar também. Tudo pelo puro prazer de reclamar de algo. Talvez esse ‘rabugentismo’ seja um pouco a cara de alguns apreciadores de Heavy Metal que eu vejo por aí, e eu me incluo nisso. É obvio que você já ouviu alguma queixa de que um som é moderno ou datado demais. Sejamos francos, o que teremos de inovação depois de tantas décadas frutíferas e estilos que se perpetuaram ao longo desse tempo? Nem mais a Mãe Dináh poderá responder.

E onde eu quero chegar com isso? A lugar nenhum. Apenas fazer um comparativo ao que eu senti ouvindo o primeiro álbum do Ignited. Um misto de sensações que me lembraram clássicos do Heavy Metal tradicional, com um toque de modernismo e não se trata de afinação baixa, o que as bandas desse estilo fazem quando se dizem modernas. Sendo bem conciso, a primeira impressão que eu tive foi de ouvir um misto de Judas Priest com Accept, no conceito geral da sonoridade. Sendo ainda mais conciso numa dissertação sobre o quarteto de Balneário Camboriú – SC, existe um peso adequado da guitarra de Dalton Castro, mediante um baixo presente e forte de Sama Benedet, que criam uma parede sonora para a bateria de Maurício Velasco despejar o seu bumbo duplo, na linha mais tradicional possível, sem deixar as viradas e cadências de lado.

Aparentemente as influências são as mais tradicionais possíveis e isso é ótimo, pois a música está muito bem feito e equalizado, além de tudo muito nítido. Solos precisos também estão presentes, é claro. Até aí é clássico, né? Sim. Total. E o que eu vi de moderno? O som da bateria em si. Ela me soou muito digitalizada, digamos assim. Apenas isso, afinal ela ainda faz um papel bem importante no peso geral.

 

 

Vamos ao vocal, que merece um pouco mais de caracteres. Não! Não estou dizendo que ele é mais importante do que todos os outros três músicos, porém há algo que eu gostaria de destacar a mais. Os vocais agudos são na boa linha Halford e feitos com maestria, algo que é muito legal, pois é comum ouvirmos pessoas tentando soar assim e não fica bom. Como equilíbrio, há muitos momentos de tons mais medianos, num padrão de voz similar a nossa entidade mais divina do Metal, chamado Ronnie James Dio. Parece perfeito, né? Aí é a sua questão de gosto. A qualidade é indiscutível. Particularmente, eu achei meio cansativo os muitos momentos de tons mais altos e acabei curtindo mais as interpretações mais cadenciadas e leves. Questão de gosto como eu já falei.

Estamos diante de um material repleto de atributos. Excelente gravação, músicos e composições. Se você é o tio dos bifes, que reclama que os grandes nomes clássicos estão morrendo, então tire um tempo e escute o Ignited. “Steelbound” é um álbum encorpado, com elementos complexos e dignos de grandes álbuns de bandas mainstream. Se você não curte as tais inovações, então aqui está um prato cheio para você ouvir algo muito bem influenciado pelo passado, mas emoldurado com um design mais jovial. Pessoalmente, me deu uma sensação boa, pois em alguns momentos eu me lembrei do Dark Avenger, que é, provavelmente, o maior representante de um Heavy Metal tradicional que já tivemos no Brasil. Obviamente que isso inclui a semelhança de vocal que o saudoso Mario Linhares tinha em relação a Denis Lima, vocal do Ignited.

E os destaques? Da primeira faixa “Ignition” até a saideira “Rotting”, o álbum será capaz de expor o que eu citei até agora. Excelente estreia!

 

Victor Augusto

 

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