Vultos Vociferos – “Aeterno Rex Infernus” (2019)

Vultos Vociferos – “Aeterno Rex Infernus” (2019)

Songs For Satan

Black Metal

 

Nota: 10,0

 

A real e única cultura Heavy Metal que um país como Brasil possui está no Underground, exclusivamente nele. Ela não está nas vias de divulgação de sempre: nas revistas de sempre, com as matérias de sempre dedicadas as mesmas bandas de sempre. Ela está nos zines e nos poucos e dedicados sites que dão a ela a devida e justa atenção – o alcance, o retorno e a visibilidade são, por vezes, pífios, mas autênticos. Apenas os verdadeiros apreciam o verdadeiro, fato.

A cultura Underground concentra-se e perpetua-se nos porões, jamais nas amplas salas dedicadas ao que pode ser produzido em grande escala, artesanal desde sempre, ela não é para as massas, sendo para poucos, os escolhidos e não para quem escolhe.

Perpetuamente entre extremos, está o tão extremo e sui generis, Black Metal – o portador de construções musicais singulares e de características marcantes: ríspidas, caóticas e gélidas. Seu conceito/ideologia é tão marcante quanto: a oposição – o não dobrar de joelhos frente a figura divina alguma, o não curvar-se a dogmas; o total repúdio pela barganha que muitos chamam e concebem pelo nome de céu/paraíso.

“Aeterno Rex Infernus” é a terceira manifestação de arte obscura, concebida pelo Vultos Vociferos, horda brasiliense de Black Metal ativa desde 1999. Tal qual as obras anteriores, merecidamente bem elogiadas é, esse novo registro: fidelíssimo ao culto tradicional das negras artes. Em “Aeterno Rex Infernus” não há espaço para devaneios atmosféricos, muito menos para pomposidades épicas/sinfônicas baseadas em camadas e mais camadas de teclados. Sua essência vem das origens, das antigas forjas – das primeiras entidades do Metal Negro, explícita em cada ataque à bateria, em cada riff e em cada blasfêmia que que é odiosamente regurgitada.

Os oito ritos profanos que dividem essa celebração ao obscurantismo, trazem em si as características primais do gênero, onde o caos é sua linguagem e a fúria em cortes rústicos é sua estética sonora.

Capítulos como: “Crepúsculo De Fogo”, “A Ordem Do Caos” e “O Crucitar Dos Corvos” representam a força bélica que o Vultos Vociferos possui; ademais, ainda com inspiração altíssima – “Podre Verme Profano” e “Abismal Lamentos” indicam que muito a banda tem a dizer, e assim o faz – exibindo sem adornos e sem afagos poéticos o gênero humano, em sua podridão e total decadência.

“Aeterno Rex Infernus” é um monumento de fúria e brutalidade: sólido, peçonhento e impiedoso como todo álbum de Black Metal tem o dever de ser.

A distopia em forma de música.

 

Fábio Miloch

 

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