Melhores de 2019 – Fábio Miloch

Melhores de 2019 – Fábio Miloch

2019 foi um ano um tanto estranho – conquistas e frustrações, muitas incertezas sobre o que eu queria fazer e sobre o que vinha fazendo, se era realmente necessário e se de alguma forma era relevante. Ferrenho autocrítico, autocensura, o silêncio do observador é, por vezes, pior que a voz em uníssono dos formados em encontrar defeitos nas feitorias alheias. Sou mais atento ao que me completa, aos sons que busco para completar minha própria trilha sonora, seria deverás injusto ouvir um disco com os ouvidos prontos para enumerar falhas, tão logo, são esses os discos que mais gostei, com os quais, mais me identifiquei, sabendo que muitos outros também tiveram impacto sobre mim.

A ordem numérica nada diz, todos estão no mesmo patamar, então, digamos que aqui me concentro nos melhores capítulos e os trabalhos que infelizmente deixei de fora, são parágrafos guardados para uma “leitura” auditiva mais prazerosa, com mais tempo e calma.

São estes, os dez melhores lançamentos do ano, ao menos para mim, já devidamente alojados no acervo da memória.

 

01 – Isole – “Dystopia”

Hammerheart Records

 

Simplesmente um trabalho arrebatador, isso em um ano em que o Epic Doom Metal voltou com todas as suas forças, Crypt Sermon e Atlantean Kodex lançaram trabalhos inigualáveis, mas o Isole superou toda e qualquer espectativa, diferente de outros discos que possuem pontos altos em meio a baixos, “Dystopia” se revela como uma montanha, imponente e majestosa.

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02 – Fvneral Fvkk – “Carnal Confessions”

Solitude Productions

 

Um disco que consegue memorar Solitude Aeternus, Satunus e Funeral, já é notório por si só, mas memorar tais bandas e ainda imprimir suas próprias características, torna-o ainda mais especial e raro. Eis “Carnal Confessions”, épico e melodioso – um álbum a ser preservado nas sagradas galerias onde ficam apenas os grandes registros do Doom Metal.

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03 – Smoulder – “Times of Obscene Evil and Wild Daring”

Cruz Del Sur Music

 

 

Soberania, peso e fulgor, essa é a trindade que rege esse disco. Ele resgata e tece tributos a glória e ao esplendor do Heavy Metal oitentista, junto ao Doom e Power Metal da mesma época. Cópia? Não, longe disso, uma memorável homenagem cheia de força, vigor e personalidade própria.

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04 – Esoteric – “A Pyrrhic Existence”

Season Of Mist

 

Colossal, descomunal e enigmático, como todos os álbuns dessa entidade titânica que atende pelo nome de Esoteric.

“A Pyrrhic Existence” é uma mórbida sinfonia composta por pesadelos inconcebíveis e sensações intangíveis. O Funeral Doom elevado a níveis nunca antes imaginados – psicodélico, desolador e obscuro, em suma, perfeito!

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05 – Officium Triste – “The Death Of Gaia”

Transcending Obscurity Records

 

A essência do Death/Doom Metal feito nos anos 90, a rara fragrância de uma década inigualável, criativa e sem precedentes – o sentimento de mãos dadas com a música, atmosferas singulares em discos que são legítimas obras de arte. Toda essa descrição do passado se faz presente e mais viva que nunca em “The Death Of Gaia”, o novo e belíssimo álbum do Officium Triste – “The End is Nigh”, “The Guilt” e “Just Smoke And Mirrors” são momentos singulares num trabalho sublime e altamente emotivo.

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06 – Weight Of Emptiness – “Conquering The Deep Cycle”

Australis Records

 

“Conquering The Deep Cycle”, o segundo álbum dos chilenos Weight Of Emptiness, é refinado, audacioso e inteligentemente bem estruturado e dinâmico.

A influência progressiva e a habilidade da banda em criar temas instigantes, com nuances e texturas sofisticadas é realmente admirável e hipnótica.

“Conquering The Deep Cycle” é emocionante, fresco, criativo e vigoroso, genial em cada detalhe e minúcia.

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07 – Darktower – “Obedientia”

Cangaço Rock Comunicações/Electric Funeral Records/Extreme Sound Records/Native Blood Produções

 

Um manifesto iconoclasta, fúria e não conformismo.

“Obedientia” é filosofia personificada em música, são conceitos estruturados e exibidos com sabedoria e razão, sim, a razão que anda tão ausente nesses dias  caricatos e inférteis, que preguiçosamente tornamos em rotina, em servidão e abaixar de voz.

Sem adentrar nos méritos de cada músico, técnicas e demais aspectos da criação do álbum, incluindo a capa, apenas digo, “Obedientia” é um chicote que surra e dilacera a pele cinza de um sistema obsoleto, sujo e hipócrita, que só conhece as leis de acordo com seus próprios caprichos.

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08 – Insomnium – “Heart Like A Grave”

Century Media Records

 

O que mais me fascina nos álbuns e no trabalho do Insomnium, é a capacidade que a banda tem de criar e explorar ambientes e sentimentos – sua música é forte e completa, carregada de questionamentos e de visões próprias de vida, morte e saudade.

Sabedoria, sonhos e filosóficas confissões colocam “Heart Like A Grave” como mais uma magnífica e épica página dentro dessa emotiva odisséia criada pelos finlandeses.

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09 – Unholy Outlaw – “The Kingdom Of Lost Souls”

Black Hearts Records

 

Um dos melhores e mais representativos discos de Doom Metal dos últimos anos, simples assim e sem devaneios.

Ausente de demagogias e distante de comparações imbecis/absurdas, o Unholy Outlaw não lançou um simples disco, mas sim, um belo exemplar de como o Doom Metal nacional é forte, imponente e criativo.

O Epic Doom em seu explendor absoluto, na minha visão e gosto particular, um clássico!

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10 – In Mourning – “Garden Of Storms”

Agonia Records

 

“Garden Of Storms” é mais uma obra de arte dentro da engenharia musical que é o In Mourning.

Poucas bandas conseguem harmonizar tão bem as passagens intrincadas do Prog Metal com o lado mais criativo do Melodic Death e ainda somar ambas ao Doom Metal, o In Mourning consegue – “Garden Of Storms” tem sutileza, técnica e múltiplas texturas, ora suave e melancólico, ora complexo e tempestivo. Não sendo um disco onde acentuar destaques seja tarefa fácil, ele é destaque como um todo, pelo total conjunto da obra, da belíssima capa, cortesia do mestre, Kristian Wåhlin (Necrolord), até os segundos finais de “The Lost Outpost”.

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