Melhores de 2019 – Victor Augusto

Melhores de 2019 – Victor Augusto

Definitivamente 2019 não foi um ano fácil para mim. Além dos problemas naturais da minha vida pessoal, ainda teve o meu esgotamento mental e físico após alguns anos de intensa tentativa de dedicação a famigerada “cena”. Percebi que eu estava andando em círculos e desperdiçando energias em meio a muitos egos, amadorismos e ingratidão. Antes de mudar o meu foco para um trabalho mais dedicado a quem realmente vale a pena, passei alguns meses tentando me recuperar dessa estafa e não consegui acompanhar tão de perto todos os bons lançamentos, mas os poucos que ouvi já foi suficiente. Então, aqui estão as minhas impressões sobre o que tivemos de melhor este ano.

 

01 – DarkTower – “Obedientia”

Cangaço Rock Comunicações/Electric Funeral Records/Extreme Sound Records/Native Blood Produções

Antes de colocar este disco em primeiro lugar, eu realmente analisei todos os lançamentos que achei digno de estar aqui e realmente o DarkTower foi o que mais me cativou, até mais do que os grandes nomes mundiais que você verá aqui. Não é apenas uma questão de como eles tocam Black/Death Metal, mas como eles se expressam e interpretam toda a raiva e sentimento, ilustrando todo o caos que esse país se tornou. Desde as lutas políticas que dividiu e tornou as pessoas intolerantes, idiotas e agressivas, até a perda da nossa cultura e identidade numa forma de nação. Tudo isso foi descrito de forma brilhante, sem ataques direcionado a qualquer lado desta guerra. Eles relatam como as pessoas pararam de pensar por elas mesmas, enquanto são manipuladas por falsos heróis. Embarque nesta jornada épica. Embarque no apocalipse da vida real, relatada em “Obedientia”.

https://www.facebook.com/darktowermetal/

 

02 – Death Angel – “Humanicide”

Nuclear Blast

O ano era 2010 e o Death Angel iniciava a turnê do “Relentless Retribution”, passando pela primeira vez no Brasil e, consequentemente, na minha cidade. Por sorte eu estava colado na frente do palco, sem grandes e em frente a Rob Cavestany. Quanto mais eu pirava, mais ele colocava a sua Jackson signature em minha cara. Ao fim da primeira música, ele esticou a mão para me cumprimentar e deixou a sua palheta em minhas mãos. Muito difícil não ter um carinho especial pelo Death Angel desde então, porém o grupo não parou de lançar álbuns matadores e este é o grande motivo da minha admiração ainda maior. A banda mostrou-se digna de estar entre os panteões do Thrash Metal e talvez isso ainda não tenha acontecido devido a sua história e pausa, na qual todos conhecemos. Com certeza eles vão estar no topo com “Humanicide” e com essa sensacional formação, que está fixa por quase uma década. Não há dúvidas que todo álbum novo do Death Angel será sempre uma das melhores notícias do ano.

https://www.facebook.com/deathangel/

 

03 – Destruction – “Born to Perish”

Nuclear Blast

O Destruction é uma banda que não precisa ser apresentada. Eu tive a sorte de vê-los ao vivo duas vezes (em 2016 e 2018) e até os encontrei num Meet & Greet, por alguns minutos, no ano passado. Schmier, Mike e Andy Black foram muito educados ao tirar algumas fotos e conversar brevemente comigo. Alguns meses depois desse encontro, eles anunciaram o Damir Eskić, voltando a formação com dois guitarristas. É claro que qualquer álbum do Destruction pode aparecer facilmente em qualquer lista de dos 10 melhores do ano, mas “Born to Perish” tem essa sonoridade mais forte devido à adição da segunda guitarra e esse álbum parece ainda mais agressivo do que os anteriores.

https://www.facebook.com/destruction/

 

04 – Hatefulmurder – “Reborn”

Uma das magias do Hatefulmurder, em minha opinião, é eles não se encaixarem, especificamente, em um só estilo. Há uma versatilidade brilhante neles, algo mágico, como eu já mencionei, que é até difícil de definir o que eles criam. Basicamente, temos um Thrash Metal, com um peso no melhor estilo Death Metal, aliado a um baixo ‘funky’ e muita versatilidade nas passagens de bateria e guitarra. O grupo chega a flertam até com o Hardcore e outras misturas bem interessantes. Tudo isso ganha uma força absurda pelo poderoso vocal de Angélica Burns, que me lembra o timbre do Tomas Lindberg (At The Gates), em alguns momentos. O terceiro álbum do quarteto carioca mostra uma maturidade e criatividade, que agradará a qualquer um que anda de saco cheio de ouvir o ‘mais do mesmo’ desse meio.

https://www.facebook.com/hatefulbook/

 

05 – Woslom – “Paranoia”

Punishment 18 Records/Shinigami Records

Uma das maiores bandas de Thrash do Brasil, o Woslom é aquele nome que te faz ter algum orgulho desse país. Após três impecáveis lançamentos nesta década, é a vez de nos surpreenderem com um EP e mais uma temática bem representada em sua capa. A sensação de paranoia é muito bem representada com o desenho da escada tortuosa e um olho paranoico ao fundo. Os Riffs de abertura da faixa título já mostram a porrada que o grupo vai lhe dar ao longo da audição. Basta ouvir e tirar as suas conclusões do que esse quarteto vai nos brindar em seu próximo disco completo, afinal estamos falando do Woslom.

https://www.facebook.com/woslom/

 

06 – Legacy Of Kain – “Paralelo XI”

A primeira vez que ouvi e Legacy of Kain, em 2017, eles eram apenas uma nova banda, com músicos de background em Curitiba-PR, oferecendo um bom Metalcore/Thrash Metal. Eu gostei e resenhei, mas nem de longe era a minha favorita do ano. Agora eles mudaram as letras do português para o inglês e decidiram tocar um Thrash Metal forte e furioso, com poucos elementos do Metalcore. Me espantei ao ouvir toda a raiva sonora, proveniente do tema principal, que trata do massacre da tribo Cinta Larga em 1963, além de temas atuais, como o acidente de Brumadinho. Com certeza, esse disco também fará você se revoltar com toda a merda e com todos os babacas que nos cercam e manipulam esse país, seja em qualquer aspecto de poder. Acima de tudo, surpreenda-se com essa nova cara da banda.

https://www.facebook.com/legacyofkainbrazil/

 

07 – Fleshgod Apocalypse – “Veleno”

Nuclear Blast

Como fã do Metal extremo, eu sempre pirei no Fleshgod Apocalypse, desde a primeira vez que assisti ao vídeo de “The Violation”, em 2012. Para mim, eles são a grande novidade no ‘mainstream’ desta década. Não se trata de somente mais uma banda de Death/Black Metal, o seu grande diferencial foi a influência italiana e o lado ópera em meio a essa massa sonora. Para minha surpresa, senti o mesmo espírito de sempre nesse álbum, apesar da drástica mudança de formação. Na verdade, eu até gostei mais de “Veleno” do que dos anteriores. Nada de extremismo o tempo todo e a produção mais orgânica me agradaram muito. Para mim, essas mudanças ajudaram a digerir mais facilmente todos os complexos arranjos. Um lançamento certeiro, como sempre.

https://www.facebook.com/fleshgodapocalypse

08 – Acero Nacional – “Trueno”

Que a América do Sul é famosa por ter os fãs mais insanos do planeta, isso não é novidade. Acredito que os chilenos sejam os que mais demonstram isso, não só em termos de público, mas também na garra de suas bandas. O Acero Nacional representa esse espírito, a começar pelo seu nome (Aço Nacional em português). Não se trata de espadas de aço, como ouvimos demasiadamente por aí. Trata-se de uma referência ao trabalhador de seu país e o nome do álbum, trovão em nossa língua, está mais para a sensação na qual eles nos proporcionam. Algo forte, pesado e devastador!

https://www.facebook.com/aceronacional/

 

09 – Kamala – “Live in France”

Uma banda nascer não sendo somente mais um nome em meio a tantas outras de seu estilo, talvez seja um sinal de vida longa. Entre alguns mantras e músicas orientais, para complementar a sonoridade, se destacaram e fizeram o seu nome no Brasil. O passo adiante veio nessa década, guinando para um Thrash Metal mais direto e com sucessivas turnês fora do país. Se hoje a agenda do Kamala tem mais datas marcadas na Europa do que aqui, é o reflexo de como cativaram o público gringo, em especial o francês, que realmente abraçou esse trio, com uma paixão invejável. Nada mais justo do que registrar o último show da mais recente turnê europeia e lançar o primeiro álbum ao vivo do grupo, marcando esse grande passo a mais na consolidada carreira internacional do Kamala.

https://www.facebook.com/kamalaofficial/

 

10 – Acid Reign – “The Age of Entitlement”

Dissonance Productions

Mais uma banda da leva de Thrash Metal que surgiu no final dos anos 80 e que encerrou as atividades nos anos 90, ressurgindo nessa década para mostrar ao mundo que fizeram muita falta. Talvez ainda não tão conhecidos no Brasil, o Acid Reign (Reino Unido) lançou o matador “The Age Of Entitlement” e não se restringiram a toda criatividade de riffs incríveis, como uma boa banda de Thrash Metal costuma fazer. Eles também exploraram mais o ramo de seus antecessores britânicos do Heavy Metal tradicional e acrescentaram isso ao seu som. Complexo? Não tanto, porém tenha a certeza que a maturidade, aliada a uma incrível gravação, serviu para mostrar ao mundo que o Acid Reign está realmente de volta.

https://www.facebook.com/acid.reign.thrash/

 

Menções Honrosas

 

Miasthenia – “Sinfonia Ritual”

Mutilation Productions

Apesar de não ser um álbum de inéditas, especificamente, o Sinfonia Ritual mostra a alma dessa grandiosa e complexa banda de Pagan Black Metal, que merecia um livro para descreve-la, com cinco faixas de álbuns anteriores, em um arranjo totalmente sinfônico, a banda proporciona uma excelente forma de mostrar a sua alma para quem nunca conseguiu captar isso. Sinfonia Ritual é um ousado e criativo passo, que, novamente mostra a grandeza desse grupo brasiliense.

https://www.facebook.com/miasthenia/

 

Endust – “All ends in Dust”

Lançar um álbum de estreia desse nível, sem nunca terem tocado um show, mostra a garra do Endust. A força motriz de Glauco Rezende com seus riffs complexos, aliado a devastação de Fernando Arouche na bateria e a indiscutível interpretação vocal de Leandro Caçoilo faz “All Ends In Dust” nascer grande.

https://www.facebook.com/official.endust/

 

Infrared – “Back To The Warehouse”

Mais uma banda que surgiu nos anos 80 e pararam na década seguinte, porém retornaram com gás total. “Back To The Warehouse” resgatou composições dos primeiros dias de vida deles, mas com a gravação e o poder que esses canadenses têm hoje em dia.

https://www.facebook.com/infraredmetal/

Deathgeist “666”

Thrash or Death Records

Vive no Brasil e está cansado de ver banda boa morrendo no amadorismo? Gosta de Thrash Metal e sente falta de ouvir algo mais tradicional e sem exageros? Curte algo na vibe alemã oitentista. Então aqui está o “666” do Deathgeist, meu amigo. Aprecie!

Agradecimento

 

DVD DF Metal II

Aqui fecho a minha lista com um DVD de 2018 e explicarei o motivo, já que a lista é sobre os lançamentos de 2019. Como citei na introdução, esse ano foi muito complicado. Quando eu quase não fui para o caixão (de fato), eu quase me enterrei, no que tange ao meu trabalho ligado a resenhas e divulgação de bandas de qualquer forma. A generosa atitude de Henrique Behr, vocalista da banda Fallen Angel (DF), em me ceder uma unidade desta obra prima, em agradecimento ao pouco que fiz pela cena local e a sua banda, me fez repensar bem, afinal o músico que mencionei, fez parte do embrião do Rock pesado no Distrito Federal. Mais do que ter um DVD, eu me senti tão honrado em receber um material que retrata os grandes nomes que abriram caminho para o que acontece hoje em dia, na minha cidade. Como não se animar em resenhar esta obra? Impossível.

Afora o valor sentimental, O DVD é realmente uma viagem nostálgica as bandas que surgiram no final da década de 80 e tiveram uma curta, porém marcante carreira. Idealizado por Lelo Nirvana, esta edição difere da primeira, de 2009, pela qualidade gráfica das filmagens, entrevistas e com o acréscimo de muitos vídeos transmitidos na época. As imagens aéreas da capital federal e a dedicatória a memória de Mario Linhares, vocalista do Dark Avenger que faleceu em 2017, faz esse material um item clássico e de colecionador, desde o seu lançamento.

 

Um excelente 2020 a todos!

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