Kamala – “Live in France” (2019)

Kamala – “Live in France” (2019)
Thrash Metal

Nota:9,0

Tocar Heavy Metal no Brasil pode ser considerado algo louvável? Diante de todos os percalços existentes para quem vive nesse meio e ainda termos tantas bandas de qualidade surgindo, talvez isso seja um direcionamento para esta charada. E quando se trata de uma banda beirando os 20 anos de carreira e que não para de crescer? Então vamos para o nosso estudo de caso.

Acredito que o nome Kamala não seja desconhecido no cenário brasileiro, porém as guinadas que a banda vem dando nos últimos anos, talvez, não sejam de conhecimento da maioria. Desde o grandioso “Mantra” (2015), o grupo se estabeleceu em trio, dando uma reforçada num trabalho de guitarra e baixo mais direto, o que deixou o puro Thrash Metal bem mais na cara. A única mudança desde então, foi a entrada de Isabela Moraes, na bateria, para a gravação e shows de divulgação do aclamado “Eyes of Creation” (2018), álbum que continuou abrindo muitas portas para a banda, principalmente fora do país, onde eles têm concentrado os seus shows.

A sonoridade de estúdio criada nestes álbuns mencionados foca bem a enxurrada de riffs de Raphael Olmos e também abriu espaço para o excelente trabalho de baixo de Allan Malavasi, pois não há uma segunda guitarra durante os solos. É claro que esse espírito “ao vivo” do estúdio, caiu como uma luva nos shows e então porque não um álbum ao vivo para explorar essa pegada? Some isso as constantes turnês no velho continente (seis no total) e como resultado surge este registro feito na cidade francesa Lembras, quando o grupo realizou o último show dessa pernada, mostrando como estavam afiados após semanas de shows diários.

Apesar de captações ao vivo sempre me preocupar, o que temos aqui é um som encorpado e nítido a todos os instrumentos. A guitarra está tinindo, com corpo e cristalina, tanto nas bases quanto nos solos recheados de wah wah. O baixo de Allan Malavasi manteve-se impactante a todo o momento, fazendo muito bem as bases durante os solos. Outro ponto interessante, que eu já vinha observando nos shows em que pude assistir pessoalmente, é como as divisões dos vocais entre Olmos e Malavasi fizeram a banda parecer ter não só um frontman, mas sim dois. Por vezes eles se alternam e muitas vezes se somam.

A grande diferença neste ao vivo é como Isabela Moraes soa matadora. Se no último registro de estúdio ela parecia valorizar mais o groove e cadência, aqui ela soa sedenta por Thrash, com uma velocidade acima do comum. Não tem como ouvir a introdução de “Suicidal Attack” apenas uma vez, onde ela age como rolo compressor em seu kit. Outra música que ganhou uma cara diferente, também pela bateria, foi “My Religion”, onde a condução na caixa ganhou mais vida dando outra dinâmica ao som. Mas se você aprecia o bom e velho groove, não se preocupe, pois ele continua lá, afinal a captação da bateria, também, foi bem cristalina e é possível ouvir tudo.

Com um set focado nos dois últimos álbuns, devo destacar a “Stay With Me”, que empolga até os mais apáticos em shows, além de “Believe”, que é uma excelente amostra do estilo que o Kamala tem tocado em sua fase atual. Claro que tem espaço pra som antigo também, a exemplo da “Take Away”.

Eu não poderia deixar de dar uma atenção especial a clássica e matadora “Mantra”, que fecha o set. Em minha opinião, essa faixa é a melhor música do grupo e eu diria que é, até mesmo, uma das melhores músicas de Thrash Metal que já escutei, digna de figurar em álbuns de grandes nomes do estilo. É uma destruição total! Várias nuances e quebradas de andamentos, tendo inúmeros pontos altos, entre eles o refrão “One for all, but not all for one”, sempre cantado em massa pelo público.

Encerrando essa década com chave de ouro, “Live in France” surge para consolidar o que o Kamala se tornou na Europa, especialmente na França, onde angariaram uma legião de fãs, além de se consolidarem em seu país como uma banda que colhe os frutos oriundos de seu profissionalismo, algo que servirá de exemplo para as demais, que ainda mantém o louvor de estarem ativas e atuantes no Brasil.

Victor Augusto

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