Hatefulmurder – “Reborn” (2019)

Hatefulmurder – “Reborn” (2019)

DeathMetal/ThrashMetal

 

Nota: 10

 

Aos primeiros urros de Angélica Burns em “Rise”, deu para perceber que o terceiro ato da banda carioca, Hatefulmurder, não seria uma simples “brincadeira”, pelo contrário, marca uma nova etapa na vida do grupo. O novo trabalho carrega consigo um ar juvenil, algo como possamos fechar os olhos, e sentir que banda quer lutar, não quer ficar estagnada, viver apenas da imagem de uma mulher à frente do palco e esperar os holofotes, aqui temos o crescimento humano, o amadurecimento, O SOM como um todo brilhando e ocupando todos os espaços possíveis e imagináveis numa aula de brutalidade.

“Reborn”, marca o segundo trabalho de estúdio de Burns com Renan Campos (Guitarra e backing Vocals), Felipe Modesto (Baixo) e Thomás Martin (Bateria), obviamente por estarem mais conectados e entrosados, o jogo flui naturalmente dando a sensação de que tudo que foi gravado são frutos de muitos ensaios e conversas. As 9 faixas que compõem são ímpares, cada um com o seu tempero, mas que conseguem se fechar num núcleo único, seja nas letras inglês ou português, o contexto é simples, socar agressividade para os fãs, trazer toda a manifestação contra tudo que está errado, liberar o pensamento difícil, mas o mais importante de tudo, sabendo dar ao ouvinte a liberdade do pensar e ter suas próprias conclusões e inspirações para enfrentar o cotidiano suicida que vivemos.

Falando um pouco do instrumental, a palavra chave que posso dizer é, OUSADIA. Muitas vezes os grupos caem numa mesmice terrível e sufocante, riffs, bumbo rápido, uma linha de guitarra mais solta, despojada aqui e ali, um baixo dando aquela pulsada só para dizer: oi, estou aqui, mas cadê a rebeldia, o de querer se superar e crescer, fazer com que sua música ganhe mais e mais. Pois bem, o Hatefulmurder soube ir além, o tradicional Death/Thrash ainda está aqui, mas mais encorpado, com linhas poderia facilmente estar em grupos de Prog Metal, com linhas trincadas, bateria cheias de mudanças de andamento, uma atitude mais Hardcore passando em alguns instantes, e ainda temos as surpreendentes linhas mais melódicas em algumas linhas vocais, tudo se fazendo somar num trabalho que não só marca o melhor disco de estúdio dos cariocas, mas na cena brasileira em 2019.

Com tantos elogios, é fácil dizer que o álbum inteiro é impecável e que não pode ser pulado uma única música, mas sempre existe aquela favorita, a minha atende pelo nome de “Mindbreaker”, que traz uma densidade criativa, peso, momentos melódicos irretocáveis e os gritos brilhantes de Angélica.

Obrigatório!

 

Willian Ribas

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *