DarkTower – “Obedientia” (2019)

DarkTower – “Obedientia” (2019)

Melodic Black Metal/Melodic Death Metal

Cangaço Rock Comunicações,Electric Funeral Records, Extreme Sound Records e Native Blood Produções.

 

Nota: 9,5

 

“Obedientia”, o terceiro trabalho da banda carioca de Black/Death Metal, Darktower, está há milhas e mais milhas de ser um lançamento comum, corriqueiro e trivial. Sendo indubitavelmente, um contemporâneo monumento sonoro, visual e crítico.

A realidade exibida no álbum é crua, suja e distópica. Suas letras são sedimentadas em questionamentos sólidos; em argumentos e indagações pertinentes e mais atuais agora do que jamais foram – o passado tem no presente, o seu remake, e o futuro, é apenas uma atualização do Mito Da Caverna; um oceano de informação pra seres, que sedentos, bebem apenas dos fáceis e fartos cálices da prudente ignorância.

Em oposição a tal sina, temos em “Obedientia”, um grito feroz e corajoso de resignação – tudo pode e deve ser questionado sempre, não curvar-se jamais, tão pouco aceitar toda essa podridão imposta, não servir! A desobediência é a lei num mundo de valores inversos, de prioridades esquecidas e falas cada vez mais extremas e agressivas.

São dez composições impávidas e reflexivas; fortes e construídas como se fossem movimentos dentro de um concerto erudito, não que seja pomposas, e sim estudadas, meticulosas e articuladas. “Punishment”, prepara o território, os tímpanos e a alma para o caos e fúria que estão porvir, e assim o faz; “Downfall” é de uma precisão técnica absurda, um tempestade de riffs ríspidos, blast beats e muito peso, peso esse que se perpetua por todo trabalho. A artilharia e oposição do Black Metal é plenamente ilustrada na soberba, “God Above Nothing” – o Metal Negro em sua essência, forjado por quem realmente conhece e entende do mesmo. “Winged Snake Communion” e “Praxis Against Ignorance” são dois manifestos de brutalidade máxima, daquelas raras composições que separam lobos de cordeiros. A faixa título, “Obedientia”, é um cataclisma promovido pelo aguçado senso melódico da banda, junto a seu refinamento criativo, composição indispensável!

Bases irrepreensíveis, solos virtuosos, engenhosas e pontuais linhas de bateria, junto a um desempenho vocal raro e conciso, que reforça e acentua o teor crítico das letras, que somados a magistral produção, colocam “Obedientia” em posição de destaque entre os grandes álbuns de Metal Extremo lançados nos últimos anos, isso a nível mundial, claro. “Rites Of Conscience”, “The Carnal Esplendour” e “… As The Obedient Marches To The Abyss…” formam a trinca final do álbum, sendo essa última, um espécie de síntese de tudo que ouvimos no mesmo – um curto instrumental, triunfante, mas desolador.

Se tudo pode e deve ser questionado, se o eminente caos pede por linhas de violino em tom de adeus, eis em “Obedientia”, toda uma orquestra dedicada a tal fim, sendo sua mais cabal trilha sonora.

 

Fábio Miloch

 

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