Heretic – “Are You…Comfortable?” (2019)

Heretic – “Are You…Comfortable?” (2019)
Heavy Metal/Progressive Metal/Experimental Metal

Nota: 8,5

Com toda a sua representatividade de quase uma década atuante em sua cidade natal, Goiânia-GO, o Heretic nunca foi sinônimo de mais do mesmo. Desde as primeiras formações, quando tocavam sons apenas instrumentais, o grupo já ousava em incorporar sonoridades comum do Oriente Médio, com uma roupagem Heavy Metal sobre tudo isso. Parece que uma energia de inspiração paira sobre eles desde as suas origens, pois não param de evoluir em suas composições e estão sempre criando material novo.

Após a entrada do vocalista Erich Martins, o grupo acabou modificando a sua estrutura de uma banda instrumental para a adaptação de seus vocais em tons mais agudos, junto a sua sua interpretação das letras, o que renovou a alma do Heretic. Ainda que haja um certo experimentalismo e até um certo progressivo, o peso e a cara mais metal acabou tomando a frente neste material. O guitarrista Guilherme Aguiar, mantém a força motriz das bases bem trabalhadas, sem exageros, para que a parede sonora soe tanto como guia, quanto complemento para os arranjos orientais, junto ao baixo fretless de Laysson Mesquita. Nas primeiras faixas, a sua guitarra acaba sendo o condutor, porém, a exemplo da faixa “The Day That Never Was”, ela também figura como o chão para um solo de violino e que belíssimo solo essa faixa possui, cheio de sentimentos e bem estruturado.

Além dos mais variados instrumentos que figuram em “Are You…Comfortable?” (cítara, esraj, darbouka, tabla indiana, shennai, veena, tampura, sintetizadores, baglama, bouzouki, harmonium e flauta), o álbum ainda apresenta a participação de Luis Maldonalle nos solos e de Paulo Rocha nos vocais de “Heresia”, cantando em português e um som que teve um arranjo que se assemelha bem pouco a rap, em sua introdução, mas foi feito com peso e com os já citados arranjos orientais, dando um bom desfecho ao álbum.

Apesar de Erich morar em Portugal e a sua parte da gravação ter sido feita por lá, a interação entre ele e a banda pareceu ser muito boa, deixando o disco com ar bem introspectivo. Os ritmos mais cadenciados, que caminham no oposto da extrema velocidade na qual costumamos ouvir em bandas de metal, facilitou a boa digestão de toda a complexidade instrumental. Não temos um som lento, mas um ritmo que veio a cair na medida certa.

Como o próprio título sugere, este álbum é um material com uma vasta sonoridade, que não se preocupa em ousar e foge totalmente da “zona de conforto” de uma banda de Heavy Metal tradicional. A riqueza musical que ouvimos em “Are You…Comfortable?” é algo que eu não tinha escutado, nem visto ser feito de uma forma tão magnífica quanto é feito por eles. É nítido que houve uma dedicação em vários aspectos para a criação de um material que não fosse apenas mais um lançamento qualquer. Podemos conferir isso desde a belíssima capa, que captou a ideia do álbum, quanto nos detalhes do processo de criação expostos no documentário sobre este álbum. Esse tipo de som pode não ser a sua praia, assim como não é muito a minha, mas vale a pena conferir a genialidade do Heretic.

Victor Augusto

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