Terror Revolucionário – “Campo da Esperança” (2019)

Terror Revolucionário – “Campo da Esperança” (2019)
Hardcore/Grindcore/Punk Rock

Nota: 8,5

Toda a pessoa que nasce e se cria em uma determinada cidade, acaba conhecendo na palma da mão as diversas características e minúcias que fogem dos típicos cartões postais visitados por turistas. A capital federal, tão conhecida pela arquitetura e pelos fatos históricos que marcaram a sua curta existência, certamente tem muito mais a oferecer do que isso e a sua cena musical, que envolve diversos gêneros como o Punk, Hardcore e Heavy Metal, é uma grande parte disso. Por isso o título do álbum caiu tão bem, por se tratar do nome de um famoso e gigante cemitério da cidade.

A música em si, trata-se de gravações que não viram a luz do dia apesar da qualidade e, em sua maioria, foram feitas em 2006, já com a atual formação. O que ouvimos aqui? O mais puro Terror Revolucionário! Hardcore com muitas variações, flertadas no Grindcore e passagens Punk Rock, tudo na linha mais visceral e tradicional possível. A lenda e apoiador eterno do underground, Fellipe CDC, conduz seus temas de diversas abordagens políticas e sociais com seus urros, bem acompanhado das várias partes berradas da baixista Adriana Drikaos, que também impõe um timbre de baixo bem forte e distorcido. Barbosa Osvaldo distribui riffs secos, diretos e sem frescuras em sua guitarra, remetendo a um bom e velho Discharge, enquanto o Jeff Vein navega pelos ritmos do estilo, alternando passagens extremas e cadenciadas.

É um som atrás do outro, o que deixa a dinâmica do álbum bem interessante. Além disso, o disco contempla vários covers de tributos e coletâneas que eles fizeram a bandas que, não só influenciaram o quarteto, mas que também fizeram história junto a eles. Ainda temos gravações e ensaios bem do início da carreira da banda, a exemplo do segundo ensaio deles, com formação batizada de “Trio Viçosa” (histórica pastelaria da rodoviária de Brasília, que matou muita fome dos andarilhos de transporte público), só com CDC (caldo de cana), Jeffer (pastel de queijo) e Barbosa (pastel de carne), com um som bem sujo, mas que que já mostrava a alma do grupo e como eles evoluíram de lá para cá.

Sem dúvidas, temos um material bem vasto em suas 61 músicas, que são quase como uma biografia sonora da primeira década do grupo e que estavam enterradas em gravações perdidas por aí. A alusão ao Campo da Esperança não poderia ser melhor, pois assim como a imensidão deste cemitério, que guarda uma quantia imensurável de lembranças, este material também conseguiu resgatar uma gama de memórias de um grupo tão importante e atuante no underground do Distrito Federal e que vem conquistando seu espaço fora do país também. “Campo da Esperança” é um item de colecionador! Garanta o seu.

Victor Augusto

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