Last Night On Earth – “Calles de Tierra y Polvo” (2018)

Last Night On Earth – “Calles de Tierra y Polvo” (2018)
Metalcore/Industrial

Nota: 7,0

O mundo de quem escreve resenhas é sempre recheado de prazeres, apesar do trabalho e preocupação em imergir dentro do espírito de uma banda, quando esta tem um. Alguns percalços acabam dificultando o trabalho e posso citar isso quando eu tenho bandas na qual sou fã ou sou amigo dos integrantes, o que acaba trazendo um nervosismo e pressão extra. Em alguns casos, o álbum é muito complexo e demanda muito estudo da música, seguido de inúmeras audições, afinal não seria justo deixar de fazer uma boa resenha quando se tem algo que demandou tempo e dinheiro para ser lançado. No caso dos chilenos do Last Night On Earth os novos desafios foram outros.

Oriundos da cidade de Valdivia, o grupo busca uma interessante mescla de vários estilos, que de início, me deixaram bem confuso e sim, eu torci o nariz para a banda em uma primeira audição. Cheguei a pensar no que eles estavam tentando fazer e demorei bastante para digerir o material. Como eu disse, foram necessárias várias audições para finalmente sacar a proposta.

A abertura do álbum, com “Nuevo Comienzo”, já demonstra as batidas eletrônicas, acompanhados de riffs pesados e urros ao estilo de Metalcore, com uma levada que te leva a uma ansiedade de que algo explosivo e brutal está por vir, porém é aí que a força cai um pouco. Uma leva de vocal melódico toma conta do início de “Ultimo Respiro”, o que quebra um pouco o clima, apesar de a banda não abandonar o peso e encaixar precisas melodias de guitarra, junto a sintetizadores, que são um bom complemento da sonoridade. Temos de tudo ali. Breakdowns, urros, melodias e música eletrônica bem presente. A impressão que eu tive era de estar ouvindo uma trilha sonora de animes japoneses, numa versão agressiva.

“Falso Ser” vai para algo mais rápido e direto, aparentemente com bateria eletrônica, mas as guitarras dão uma boa animada e com bases bem pesadas. “Bohemia” retoma o lado industrial e os sintetizadores do grupo. Fechando o álbum, a mais arrastada “Hojas en Blanco Color Gris” volta a explorar os vocais melódicos e foi nesta faixa, junto a já citada “Último respiro” que eu pude entender o que me causou estranheza quanto ao álbum.

Vocais melódicos! Uma mistura da mixagem que não soube equalizar bem os tons de voz e uma gravação não tão boa, somados a um estilo que, talvez não esteja dentro da zona de conforto do vocalista, deixou tudo muito estranho. Em alguns momentos ele arrisca agudos bem fora de seu alcance vocal. Quando ele arrisca tons médios, as coisas já melhoram um pouco, a exemplo da faixa bônus e acústica “Juego De Errores”, que mostra ele mais à vontade.

Sintetizando. O grupo ousa e acerta nessa mistura de música eletrônica com Metalcore/Deathcore, criando ótimas bases, groove e peso. Tudo isso ganha vida pelos sintetizadores, que abrem portas para uma outra vertente sonora. Provavelmente o fato deu não ser um grande fã desses estilos mencionados, tenha me ajudado nessa estranheza, mas é inegável que foram criativos. Com uma gravação e produção melhorada, além de um encaixe de tons vocais que estejam dentro do alcance de seu vocalista, sem dúvidas, o grupo colherá bons frutos.

Aguante Last Night On Earth!

Victor Augusto

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *