Deathgeist – “666” (2019)

Deathgeist – “666” (2019)
Thrash Metal
Thrash or Death Records

Nota: 8,0

Falar de Thrash Metal em um país que é recheado de grandes bandas do estilo é quase que certeza de se repetir em elogios. É claro que tivemos os nossos “pais” deste segmento no Brasil, com nomes do nível de Sepultura, que não só catapultaram o estilo como ainda conseguiram trazer uma grande inovação. Em uma linha mais visceral, podemos falar do Korzus e tantos outros nomes que semearam novos talentos, que seria preciso um livro para falar de todas. Com tantos nomes de peso, dentro e fora do país, fica até difícil esperar inovação, mas quem está preocupado com isso? Se for bem feito e de coração, já está à frente de muitos e desta forma podemos analisar o Deathgeist.

Com pouquíssimo tempo de existência, o quarteto paulista chega ao seu segundo álbum, trazendo a herança do Bywar e mais algumas bandas locais na qual seus integrantes fizeram ou ainda fazem parte. O Deathgeist não quer, nem pretende soar moderno. Muito pelo contrário. Eles vão te empurrar o que temos de raízes em um bom e puro Thrash Metal, de forma direta e sem frescuras.

Imagine o Destruction, com uma certa técnica e melodia do Kreator e ainda com passagens mais soturnas e cadenciadas do Sodom. Está bom para você este trio de referência? Sim, estou falando de influências, não de cópia. Em certos momentos, como em “Domain”, percebi um estilo Dave Mustaine, lembrando a música “Mechanix” do Megadeth e um certo Metallica em “Virtual Murder”, no que tange a sonoridade de guitarras. Que escola temos aqui, certo? E as harmonias de “Human Slaughter”? Que coisa bela!

Algo que me agradou na sonoridade do grupo são os riffs de Adriano Perfetto e Victor Regep, pois eles mantêm uma velocidade mediana e isso ajuda muito a uma boa “degustação” de todo o trabalho da dupla, afinal, composições de guitarras desse nível merecem uma atenção mais cuidadosa, algo que muitas bandas atuais não têm, pois abusam da velocidade. Baixo de Maurício Bertoni não deixa nada ficar vazio e a bateria de Goro também opta por uma boa versatilidade, sem extremismos exacerbados.

Simplicidade. Talvez seja esta a palavra que seja o grande destaque de “666”. Desde a composição até a produção e gravação. O quarteto soube dosar toda a técnica, fúria e peso, trazendo um grande equilíbrio e um som sem exageros. Se você é fã de um bom Thrash Metal alemão oitentista, escute o álbum sem medo e curta o clima nostálgico e agradável que o Deathgeist criou.

Victor Augusto

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