Mugo – “Tempest” (2019)

Mugo – “Tempest” (2019)
Thrash Metal/Groove Metal/Death Metal

Nota: 9,0

Dentre os inúmeros pontos positivos que o ramo da escrita e da divulgação do Heavy Metal me proporciona, eu devo citar o quanto é bom conhecer determinadas bandas. Lembro-me, como se fosse hoje, quando escutei o “Race Of Disorder”, em 2017, e mesmo antes de ter ideia do que escrever sobre, eu pensei: “Caramba! Descobri mais uma banda incrível!”. A resenha foi ao ar e me aventurei a encarar 200 quilômetros de Brasília à Goiânia, cidade natal deles, para assistir shows (no papel de fã e fazendo a cobertura) e percebi que não só a música é incrível, mas eles também são grandes amigos.

Deixando o papo furado de lado, vamos ao que interessa que é o TEMPEST! Mais uma vez o quarteto acertou em cheio nas timbragens e criou uma baita parede sonora, tendo a guitarra de Guilherme Aguiar perfeitamente encaixada a incrível atuação de Faslen de Freitas (Baixo). A dinâmica entre os dois soou mortal, tendo sempre os riffs valorizados, enquanto o baixo não deixa nada vazio, dando coices nos ouvidos. Guilherme explorou bem as bases, sem exageros tanto nos riffs quanto nos solos. O baterista Weyner Henrique, que já mostrou a sua capacidade em ritmos extremos anteriormente, agora mostra a sua habilidade na condução de ritmos cadenciados. A sua caminhada neste disco tende para a velocidade mediana, mas quando ele resolve ‘apelar’, ele insere quebradas de ritmos com curtas passagens extremamente rápidas e retoma ao padrão anterior como se nada tivesse acontecido, a exemplo de “Irresponsible Attitude”, o que na minha opinião pode ser mais difícil do que só ficar no blast beat eterno.

Como muito bem elucidado no documentário sobre a gravação deste álbum, Pedro Cipriano realmente parece ter um Bugera na garganta, pois seu vocal é devastador dentre os timbres guturais e rasgados. De forma sensata e a fim de não repetir a fórmula do aclamado disco anterior, ele voltou a usar vozes limpas em várias partes, trazendo mais sentimento à temática abordada, falando das desgraças da humanidade, derrotas e política, mas sempre de forma a usar esta raiva como combustível para persistência.

Novamente tivemos várias músicas em português e estas são as mais brutais, talvez por representarem muito bem em suas letras o que o Brasil realmente é. Destaques para a música instrumental que abre o disco e também para a participação de Yuri Lemos Carvalho (Aurora Rules) em “Desconstrução”, por seu timbre diferenciado do de Pedro. “Soulless Dictator” é outra que soa infernal e são tantas faixas matadoras que fica difícil citar todas.

O Mugo chega neste final de década mais maduro do que nunca. Percebi que a influência do Metalcore ficou mais distante, agora caminhando mais entre o Thrash e o Death, com aquela classe Gojira de ser. Músicas mais diretas, com espaço para digerir toda a complexidade de seus músicos, mantendo a já característica brutalidade em alta. “Tempest” não soa somente como uma continuação de “Race of Disorder”, mas também aparenta combinar toda a discografia do Mugo. Some isso a algo que poucos podem bater no peito em ter, que se chama tempo de estrada e então a banda não poderia oferecer algo menos do que um material incrível. Não se preocupem mais com nada e escutem como se o mundo fosse acabar amanhã.

Victor Augusto

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