Endust – “All Ends in Dust” (2019)

Endust – “All Ends in Dust” (2019)
Thrash Metal/Groove Metal

Nota: 9,0

A cidade de Jundiaí-SP, apesar de pequena, espanta pelo alto nível das bandas que surgem por lá. Se nomes como o Machinage e Godzorder já impressionavam, por estarem num patamar internacional, eis que me surpreendo com mais um nome, o Endust, que tem todo o potencial para seguir a mesma linha. O grupo não é tão novo, afinal os seus primeiros rascunhos sonoros foram escritos há 10 anos. Quando a máquina de fazer riffs, Glauco Rezende, juntou-se ao triturador de bumbos, o Fernando Arouche, eles desenvolveram o que se tornou a espinha dorsal deste álbum e então este embrião de fato se desenvolveu quando o renomado vocalista Leandro Caçoilo (Caravellus/Viper) uniu forças, fazendo a coisa acontecer. Com esse time incrível, o álbum de estreia não poderia ser menos do que algo matador.

A primeira coisa que vai te prender a atenção é a quantidade de riffs complexos, soando fortes e pegados, que juntos da versatilidade das linhas de bateria, ganharam uma notoriedade diferente. A música de abertura “Someone to Blame” é um bom exemplo disso tudo, pois não repete notas, como de costume em muitas bandas. Os rápidos bumbos duplos, que por vezes seguem as bases, lembram um pouco de Fear Factory. Além disso, é possível mencionar Symphony X e Nevermore como as principais influências, para dar uma boa perspectiva a quem nunca ouviu falar da banda, porém o Endust tem uma identidade bem própria e seu peso vai mais para um estilo Thrash Metal.

Apesar de Leandro Caçoilo ser conhecido por seu alcance vocal dentro da seara progressiva e melódica, não espere aquele mais do mesmo, com vozes datadas de Power Metal. As suas escolhas de linhas vocais foram por algo mais agressivo, sem alterar a essência de sua voz. A atuação mais marcante de Caçoilo é o refrão notável da música título do álbum, a “All Ends in Dust”. Também no refrão de “Lost Without a Way”, ele novamente fez um ótimo trabalho e o deixou bem bonito e atraente. Essa música também tem uma mudança interessante de ritmo rápido e pesado para uma atmosfera calma, além de um solo chamativo, trazendo bem a atmosfera do que se é passado na letra.

Pela metade do disco, surge a música “Prisioner” em uma cadência mais lenta e “Beyond The Memories” como uma típica balada Power Metal, mas ainda sim sem perder a agressividade. “Only One Will Stand” e “Face The Fight” não apenas retomam às partes rápidas da bateria, como apresentam uma mudança na abordagem das letras. Se as músicas anteriores falavam de dor e arrependimentos sobre um mundo de crueldade ou uma vida cheia de egos e traições, desta vez elas tratam sobre canalizar essa raiva, usando-a como fonte de força para lutar contra todas estas questões. Mais uma vez, essas duas músicas mostram riffs incríveis, aliados a um excelente trabalho de bateria.

Sim. Esse trabalho demorou muito para ser concluído, mas certamente valeu a pena esperar. “All Ends in Dust” mostra raiva e é um álbum muito forte. As composições foram muito bem arranjadas e, com uma produção bem cuidadosa, todos os instrumentos tiveram a sua essência bem captada na gravação e o resultando é absolutamente incrível.

Victor Augusto

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