Beholder’s Cult – “Cult of Solitude” EP (2018)

Beholder’s Cult – “Cult of Solitude” EP (2018)

Narcoleptica Productions

Doom Metal/Gothic Metal/Stoner

Nota: 9.0

Fazendo uma análise superficial da cena musical brasileira, acredito que os grandes nomes de nosso país que vieram a ter renome internacional, impulsionaram alguns gêneros musicais, dentro do Heavy Metal, para uma maior popularidade, porém isso não significa que não existam bandas competentes em outros estilos, a exemplo do Doom Metal. O Beholder’s Cult é uma prova disso e eu tive a sorte de conhece-los por intermédio de outras bandas da cidade de Brasília-DF, mais precisamente pelo Rafael Giraldi, baterista do DarkRazor e também o atual baixista desta banda. Com os seus poucos três anos de existência, o EP de estreia “Cult of Solitude” veio para criar a impressão que qualidade é a marca registrada deles, pois dentro de uma simplicidade musical, quase que numa cara Pink Floyd, eles conseguiram fazer um material bem completo e sem exageros.

Como eu poderia explicar isso? Vou pelo mais óbvio, o início do álbum, que costuma entregar a proposta de um disco. A música “Ghosts from the Past” começa com simples acordes e ao entrar a música em si, fica nítido que o peso da guitarra vem com suaves riffs e solos, onde poucas notas, bem encaixadas, conseguem deixar tudo bem completo. Entenderam agora a “simplicidade Pink Floyd”? É claro que isso é apenas uma linha de comparação, pois estamos falando de outro estilo musical totalmente diferente do que o mestre David Gilmour e companhia fizeram em sua banda.

Outra chave importante da sonoridade do quarteto é que todos instrumentos tem uma vida própria e em alguns momentos, são os responsáveis por guiarem o som. Coisas simples, como uma dupla batida de chimbal de Tama Oliveira, em “Hopeless Solitude”, são exemplos dessa marca guia, assim como a levada de baixo na metade dessa mesma música. Pedro Paes é um dos nomes que teve um papel importantíssimo na sonoridade da banda pois criou muitas estruturas e levadas no seu teclado. Novamente, há um abuso da simplicidade para soar marcante e complexo, como eu já mencionei.

O carro-chefe do disco, sem dúvidas é a “Guidance”, onde toda sinergia e criatividade da banda vem à tona. Um teclado mostrando simples notas, aliado a poucos acordes de guitarra criaram um chão para que o vocalista Felipe Stock pudesse ter o seu momento, mostrando todo a sua interpretação vocal e que refrão lindo essa música tem. O baixo mais presente dessa faixa, acompanhando a bateria, completando a estrutura dessa música que se tornou magnífica.  A “Eternal Circles” vem para fechar as quatro músicas do EP, com uma atmosfera mais esperançosa e com vocais mais suaves, aliados a linhas agressivas, que deram uma força a música. O seu final melancólico é um grande desfecho para o álbum.

Por fim, temos um álbum que se destaca pelos excelentes arranjos e harmonias, além da composição que soube criar atmosferas densas, cativantes e mantendo peso diluído em belas melodias. Uma estreia que pode vir a ser o embrião de uma nova força dentro de um estilo que ainda carece de um nome propulsor no Brasil.

Victor Augusto

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