Flashover- “Souls Consumed By War”

Flashover- “Souls Consumed By War” (2018)

Thrash Metal

Nota: 9,5

 

Vários fatores fizeram o novo disco do Flashover nascer com uma cara de clássico. Para quem não conhece a banda, eles são de Brasília – DF, têm uma longa história de 22 anos e um nome muito bem consolidado no underground nacional. Após algumas mudanças de integrantes, o quarteto chegou numa formação estável que, consequentemente, trouxe a banda de volta a uma grande quantidade de shows, com bastante público em sua cidade e fora do país ou em outros estados também. Como resultado desse entrosamento e expectativa por um novo lançamento, após mais de 10 anos desde o “Superior” (2017), o álbum novo superou as expectativas.

A pegada característica do Thrash brasileiro ficou muito bem destacada com a boa produção e gravação que o disco recebeu no Broadband Studio, do Caio Duarte (Dynahead). De cara, a faixa título surge com poderosas viradas, riffs diretos e alguns blast beats intercalados com quebradas de ritmo que empolgam a abrir rodas em qualquer canto do mundo. As guitarras estão bem limpas e pesadas, numa pegada digna de Slayer ou Kreator. Elas não abafam o baixo de Tiago Teobaldo ou as excelentes passagens de Josefer Ayres na bateria. Fernando Cezar realiza solos precisos e sem muitas firulas, além de também executar bastantes vocais, com um seu timbre mais gutural, que contrasta bem com os mais rasgados de Itazil Júnior (vocal/guitarra base). As letras são todas baseadas nas podridões que as religiões geram, por meio de guerras ou sugando os seus fiéis, dando um clima bem pesado ao som.

 

Além das faixas “Say My Name (Satan 666)”, “Underestimate” e “Iron Cross”, que por si só já valeriam a audição, o Flashover ainda fez algo bem ousado nas tradicionais participações especiais, a exemplo da grandiosa “Brothers Of Disaster”. Eles uniram todos os convidados em uma música só e a letra foi composta com nomes ou títulos que remetem as bandas desses participantes. Dentre eles, além de grandes nomes como Luiz Carlos Louzada (Vulcano e Chemical Disaster) e Marco Fresco (Tales For The Unspoken), ainda houve a participação de Mario Linhares (Dark Avenger), em sua última gravação antes de sua trágica partida. O resultado ficou fenomenal, principalmente pelo vocal melódico e agressivo de Mario oferecer um refrão diferente das demais. A música ganhou até um vídeo, onde capta vários momentos da gravação e do dia a dia da banda, chegando a emocionar por acabar virando uma homenagem a este amigo e grande músico.

Algumas faixas também soam interessantes por sair do padrão que escutamos ao longo do disco. Uma delas é a “Soundcheck Of Evil”, que não tem letras e mantem a mesma levada, onde Josefer fica livre para fazer diferentes tipos de viradas. A saideira “Pain And Hate” mostra uma cara mais Hardcore e serve para finalizar com classe toda a quebradeira.

O “Souls Consumed By War” fez valer a pena a espera por seu lançamento e mostra uma banda que atingiu um alto nível de entrosamento, afora a experiência de longa data. O Thrash Metal, com um pezinho no Death Metal, fez com que o álbum soasse agressivo e empolgante ao mesmo tempo. Não é de se espantar que eles estejam lotando os shows em Brasília e se preparando para uma turnê europeia.  Sem dúvidas temos um dos grandes lançamentos do ano.

 

Victor Augusto

 

 

 

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