Kamala – “Eyes Of Creation” (2018)

Thrash Metal

Nota: 9,5

É sempre bom ver tradicionais grupos brasileiros lançando discos cada vez melhores, conforme vão crescendo e ganhando experiência. O Kamala, de Campinas-SP, completou 15 anos de estrada, chegando ao seu quinto disco, além de um EP de regravações, o “Consequences of Our Past Vol I” (2017). Some tudo isso a cinco turnês europeias, mostrando que a banda está mais forte do que nunca.

Desde o disco “Mantra” (2015), a banda se estabeleceu como trio, mantendo somente um guitarrista na formação. Isso contribuiu para deixar o som com uma pegada bem na cara e um clima de “ao vivo”, pois Allan Malavasi (baixo/vocal) segura muito bem a base durante os solos, sem ficar aquele vazio da segunda guitarra. Basta ouvir “Believe” para captar como os arranjos e timbres do baixo foram bem pensados e destacam-se em meio ao som. Além dessa sinergia instrumental de Allan e Raphael Olmos (vocal/guitarra), os dois estão dividindo ainda mais os vocais, com uma diferença de estilos que acaba se completando. Quem já viu a banda ao vivo, sabe que essa alternância vocal entre os dois é tão efetiva que parece que a banda tem dois “frontman”.

Para esse álbum, a única mudança foi a entrada de Isabela Moraes (bateria), aumentando o groove e a cadência das músicas. Ela tem uma incrível técnica no bumbo e repentinamente ataca com partes bem precisas de pedal duplo em várias partes, como no solo de “Stay With Me”, dando uma força extra no som. Além do Thrash tradicional, o Kamala costuma adicionar alguns instrumentos orientais ou mantras, dando uma complementada no som, apesar de não ser o foco da sonoridade. Dessa vez eles usaram Harpa, na introdução de “Internal Peace” e Didgeridoo, no início de “Purpose of Life”.

Se você é um apreciador de riffs, então esse disco vai lhe agradar muito. Raphael Olmos parece que estava mais inspirado do que o normal, tendo um carinho especial em cria-los. Não há uma nota que soe deslocada, daquelas que surgem só para “encher linguiça” no som. Basta degustar a faixa “Stay With Me” ou a instrumental faixa título do álbum, que lembra o espírito de ”Orion” do Metallica. Os solos de Olmos são bem marcantes também, usando efeito de pedal wah-wah para ajudar a dar aquele “corpo”. Também há músicas mais trabalhadas, com um pouco de progressivo em “Open Door” e melodias a mais em “Something to Learn”, sem deixar o peso de lado.

O “Eyes of Creation” é um disco direto, puramente Thrash e conseguiu unir peso, groove, melodias e um espírito muito positivo diante de suas letras, que abordam temas como o sentido da vida e crenças. O trio demostra que está em seu melhor momento, tanto criativo quanto em termos de entrosamento. Sem dúvidas, lançaram um dos melhores discos nacionais de 2018.

Victor Augusto

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